quarta-feira, 18 de abril de 2012

Alimentação literária


Por: Vanessa Lampert

Tenho falado aqui sobre a importância de ler e os benefícios que a leitura traz, mas é importante fazer um alerta: é necessário ser seletivo na hora de escolher o que vai colocar dentro da sua cabeça. Considere o seguinte: livros são como comida. Tudo o que você lê, alimenta sua mente. Mas por “alimenta a sua mente” não entenda que são bons. Nem tudo tem nutrientes. Listo algumas categorias, mas sua cabeça pode encontrar outras, facilmente. É só fazer a comparação.

Literatura junk-food: De consumo rápido, bastante prazerosa, super calórica, mas sem nenhum nutriente. Não vai te acrescentar nada, mas também não vai tirar…informação inútil, mas que engorda, enche espaço, gasta tempo. Mas pode ser gostosinha, então consuma com moderação, se quiser consumir. Bem comum encontrar romances de entretenimento de massa nesta categoria. Daqueles escritores que publicam a granel, tipo Nora Roberts ou Sidney Sheldon. Boa parte da literatura Chick-lit ou se encaixa aqui, ou na literatura-balinha, mas tem muitos estragadinhos…

Literatura balinha: É docinha, gostosa, mas você não pode se alimentar somente dela, pois não tem nutrientes, nem calorias suficientes para uma refeição. São as leituras rápidas de entretenimento, alguns contos, alguns livrinhos infantis engraçadinhos, para crianças de cinco anos (eu amo alguns deles…rs…).

Literatura saudável: Não faz mal, tem bons nutrientes, de sabor agradável, te mantém viva e em condições de se exercitar, mas não faz milagres. E não tem muita “sustança”. Alguns livros técnicos e de não-ficção se encaixam tranquilamente nesta categoria. Alguns romances, também, graças a Deus.  Algumas biografias, alguns livros de receitas, alguns livros infantis…não posso generalizar nada, pois existem os estragados e os envenenados em todos os gêneros.

Literatura funcional: Não apenas te mantém saudável e tem bons nutrientes, mas contém nutrientes que podem restaurar células danificadas, reverter processos degenerativos e prevenir problemas sérios. Aqui se encaixam alguns livros cristãos, principalmente.

Literatura medicinal: Além das características da literatura funcional, ela tem a capacidade de curar a sua alma e faz milagres por seu espírito. Essa categoria é exclusiva para a Bíblia e livros cristãos top de linha, como Mulher V, Crentes Possessos, Nos Passos de Jesus e qualquer coisa que seus autores escrevam.

Literatura estragada: Ela pode vir com aparência cristã ou não. Na verdade, ela tem a cara de qualquer tipo de livro…engana legal. A maioria dos livros evangélicos – infelizmente – se encaixa nesta categoria. Eles parecem literatura funcional, mas têm toxinas invisíveis crescendo entre suas páginas, que irão intoxicar sua fé. Todo cuidado é pouco. Nesta categoria você também encontra livros de filosofia e teologia, principalmente aqueles que falam sobre o que outras pessoas falaram. É como se você comesse comida mastigada e regurgitada. Eca…é óbvio que já chega até você estragada. Encontra romances, biografias…enfim, é uma categoria bem eclética e democrática.

Literatura envenenada: Alguns livros evangélicos estão nessa categoria. Parecem perfeitos, mas um veneno embutido pode matar sua fé. Ou você mesmo. A diferença para a estragada é que esta é de ação mais rápida.  Muitos livros de filosofia e ciências sociais se encaixam aqui.

Literatura venenosa: A literatura envenenada vem com uma cara boa, mas tem um veneninho dentro. Já a literatura venenosa, é o próprio veneno. Ela não se disfarça. Você olha para ela e já sabe que é totalmente contrária à sua fé, que irá te colocar para baixo…mas se insiste em ingerir, problema é seu. Sabe que está comendo veneno puro. É o tipo de coisa que é melhor manter longe de sua vida. Não é nem comida, na verdade…é como cigarro, cachaça, cocaína… Melhor manter distância segura.

Mas Vanessa, como vou saber identificar o que estou comendo? Eu começo lendo os rótulos. Leio a contracapa e a orelha (esses dias alguém me perguntou o que era a orelha do livro: é aquele pedacinho da capa dobrado para dentro, que tem informações sobre o livro e o autor, sabe?), pego o nome do autor e pesquiso na internet…procuro resenhas positivas e negativas…e dou uma lida nas primeiras páginas em alguma livraria. Todo cuidado é pouco. A Thaís, minha colega da Folha Universal (apesar de eu não trabalhar na Folha Universal, ela é minha colega…rs….) e leitora deste blog, me disse que lê o final do livro para ver se vale a pena…eu não recomendo, porque pode matar o livro, mas no desespero, testei esses dias com um que pensei em ler e vi que essa estratégia tem lá seu valor quando você não sabe nada sobre o livro, o autor é desconhecido, a capa é esquisita, a contracapa não diz nada, o livro não tem orelha e você não tem como fazer uma pesquisa no Google. Aí não tem jeito.

Não vale a pena colocar qualquer porcaria na sua cabeça. Não vale a pena se empanturrar, ficar doente ou se envenenar lentamente. Você não precisa comer apenas super alimentos, é claro, nem é obrigado a viver em uma rígida dieta saudável. Uma balinha, um docinho, um sanduíche de vez em quando não matam ninguém. Mas cuidado com o veneno e com as toxinas.
Em tempo: tem gente que morre de medo de ler histórias de vampiros, lobisomens, zumbis, alienígenas e afins, achando que todos eles são envenenados ou estragados. Eu, sinceramente, acho que esse tipo de ficção é o menos perigoso. Sim, porque você já sabe o que vai encontrar, então é como se mastigasse um chiclete. Sente o docinho, acha bom, mas não engole. Sabe que é ficção, então não vai encarar como realidade. Eu tenho mais receio dos que se fazem passar por evangélicos ou por filosóficos.

Cuidado com o que você lê, leia os rótulos, se informe, conte as calorias e monte um cardápio balanceado. Livros são maravilhosos e podem te trazer excelentes experiências, como tenho dito sempre aqui, mas preciso alertar aos leitores iniciantes sobre os perigos de se encher de chocolate ou de mastigar uma porção de sementes de maçã. Saboreie a boa literatura, seja seletivo e não aceite comida de estranhos. 

PS: Isso não vale só para livros. Artigos em revistas, jornais e na internet também se encaixam nessas classificações. Ah, e nem todo site religioso é amigo…na verdade, quase nenhum.



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