terça-feira, 28 de agosto de 2012

A Vendedora de trufas


Gente essa foi uma entrevista que dei ao portal arca universal em 2010, como isso já tem um tempo só modifiquei a idade, pois atualmente estou com 21 anos.

Por Elliana Garcia / Foto: Fernanda Mariano



Aos 21 anos apenas, a estudante Karen Salvador já tem uma grande história de superação para contar. Nascida em uma família simples, ela mora em Barueri, na Grande São Paulo. Filha de um caminhoneiro e de uma faxineira, que não concluíram o primeiro grau, a moça – que mora com a avó materna, de 79 anos – jamais pensou que pudesse realizar o sonho de cursar uma faculdade. “Queria terminar o colegial e isso já era o bastante para a realidade que vivia”, diz. No último ano do ensino médio, no entanto, a professora pediu que os alunos fizessem um trabalho sobre Jornalismo, e foi então que ela vislumbrou uma nova oportunidade para si. “Fiquei apaixonada por essa área e coloquei na cabeça que iria fazer faculdade de Comunicação Social”.

Karen terminou o colegial e não pôde dar vazão ao sonho que nascia por falta de condições. Nunca havia trabalhado fora, pois desde os 14 anos cuida da avó, que teve um acidente vascular cerebral (AVC). “Sabia fazer bolos e doces. Fazia e vendia para os vizinhos e para pessoas conhecidas, assim, dava para ganhar uns trocados, mas não o suficiente para pagar uma faculdade”, salienta.

Mas o sonho era mais forte, e conversando com um tio que mora no Paraná, ela falou do seu desejo. Ele, que também não tinha condições, pediu dinheiro emprestado e pagou a matrícula dela.  “A partir dali, dinheiro para entrar na faculdade eu tinha, precisava conseguir para pagar as mensalidades”, lembra.

O primeiro dia de aula

Karen descreve o primeiro dia de aula como um sonho: “Eu não acreditava que pudesse estar ali. Foi emocionante, não dá para descrever em palavras. Mas ao mesmo tempo em que eu estava feliz, estava apreensiva, pois precisava arrumar um jeito de pagar a faculdade.” Conversando com amigos e colegas, ela decidiu vender trufas. “Uma amiga me ensinou a fazer as trufas, só que tinha um porém: eu tinha vergonha de oferecer para as pessoas. Era muito tímida e vendia uma ou outra trufa na faculdade. Meus colegas, então, me incentivavam. Eles me puxavam pelo braço e iam comigo de sala em sala oferecendo as trufas. Ou eu perdia a vergonha ou parava de estudar. Quando paguei a primeira mensalidade da faculdade fiquei mais motivada e tinha certeza de que daria certo”, recorda.

A estudante passou então a vender trufas nos arredores da faculdade, que fica no bairro da Barra Funda, região central da capital paulista. Foi andando pelas ruas adjacentes até que parou na “Rede Record de Televisão”. “Ficava um pouco distante da emissora, mas as pessoas iam me conhecendo e falando para que eu me aproximasse da entrada da tevê”. Hoje, a garota é conhecida e reconhecida pelos funcionários da emissora e até os artistas compram as trufas que ela faz e comercializa.

“O Marco Camargo, jurado do ‘Ídolos’, os apresentadores Tom Cavalcante, Rodrigo Faro, Giane Albertoni, Chris Flores, Brito Júnior, e os jornalistas Marcos Hummel e Ana Paula Padrão já compraram as minhas trufas e sempre param para falar comigo e me dar uma palavra de incentivo”, conta.

Rotina

A rotina da estudante é puxada. Ela acorda às 5h30, sai de casa às 6h30 e caminha por meia hora até a estação onde pega o trem para a faculdade. Entra na aula às 7h50 e quando sai, vai para a rua vender trufas, até às 17h. Karen diz que vende, em média, 30 trufas por dia, a R$ 2 cada.

Antes de fazer o trajeto de volta para casa, ela compra os ingredientes para fazer as trufas. Ao chegar em casa, prepara o jantar para a avó e, após todos os afazeres domésticos,  começa a preparar as trufas para vender no dia seguinte. O trabalho termina por volta de 1 da manhã, quando ela deita para, no outro dia, recomeçar tudo.

Sonhos

Karen conta que os pais não a incentivam nessa caminhada, pois acreditam que ela deveria investir seu ganho em alguma outra coisa. Mas, mesmo assim, a estudante procura ser uma boa filha: “Quero que eles tenham muito orgulho de mim. Também quero ser uma profissional dedicada e me capacitar para alcançar meu objetivo. Já conheci várias pessoas da televisão e tenho certeza que, na hora certa, terei o meu espaço no mercado.”

Sobre a venda de trufas ela diz que só lhe tem feito bem: “Perdi o medo de falar com as pessoas, a timidez que tinha e sei que essa desenvoltura que tenho hoje será muito útil na profissão que quero seguir.” Já em relação à faculdade, Karen ressalta que  abriu os seus horizontes. “Vejo o mundo hoje de outra forma e descobri uma força dentro de mim que não imaginava que existisse. Sei que irei muito longe. A minha força de vontade e a minha fé em Deus me fazem transpor qualquer obstáculo”, finaliza.
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